Quem sou eu

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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
AUTO-RETRATO Já tantas vezes me expus// à luz do mundo,// por dentro, bem fundo...// Mas de novo aqui me retrato// já que este ato me ensina// quem é, de verdade, a Lina.// Então me viro do avesso.// Sem empeço, eu me desnudo// e me mostro...quase tudo...// Brota-me o amor sem parar// do coração agitador,//obstinado. Amar, eis o meu fado.// Fincada no peito tenho uma bandeira:// liberdade, altaneira !// Desfraldada do meu jeito...// A verdade é minha lei.// Lealdade, questão de crença.// Sou fiel desde a nascença.// Sou uma alegre criança// cheia de esperança em mim...// Hei de ser uma mulher ao fim !// Não sinto fastio de me descobrir.// Gosto-me assim, deste feitio.// Sou, ainda, um porvir...

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Licença Creative Commons A obra CANTO UM de Lina Meirelles foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada. Com base na obra disponível em recantodasletras.uol.com.br.

sábado, 9 de julho de 2011

A MENTIRA



E as coisas não ditas nem escritas
restaram no entremeio da paixão.
Silenciosas, germinaram no vazio.
Manaram um rio, vagarosas...

 
Sem alardeio as águas caladas
encharcaram as margens
foram juntando aluvião
sufocaram os personagens...

 
A inundação arrastou o alheio
para as almas alagadas, aflitas.
A falsidade invadiu a imaginação,
afogou toda a vontade.

 
Palavras perdidas
atolaram no lodaçal da mentira,
abriram feridas,
rachaduras sem conta.

 
Eu sabia e sentia tudo.
Tu sabias, jazias mudo.
Cegos às cesuras.
Cerrados em armaduras.

 
Mas o tempo passa e afinal,
sobre a primazia da impostura,
bem no centro do lamaçal,
a verdade, pura e nua, desponta.

 
Lina Meirelles
Rio, 09.07.11




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