Quem sou eu

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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
AUTO-RETRATO Já tantas vezes me expus// à luz do mundo,// por dentro, bem fundo...// Mas de novo aqui me retrato// já que este ato me ensina// quem é, de verdade, a Lina.// Então me viro do avesso.// Sem empeço, eu me desnudo// e me mostro...quase tudo...// Brota-me o amor sem parar// do coração agitador,//obstinado. Amar, eis o meu fado.// Fincada no peito tenho uma bandeira:// liberdade, altaneira !// Desfraldada do meu jeito...// A verdade é minha lei.// Lealdade, questão de crença.// Sou fiel desde a nascença.// Sou uma alegre criança// cheia de esperança em mim...// Hei de ser uma mulher ao fim !// Não sinto fastio de me descobrir.// Gosto-me assim, deste feitio.// Sou, ainda, um porvir...

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Licença Creative Commons A obra CANTO UM de Lina Meirelles foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada. Com base na obra disponível em recantodasletras.uol.com.br.

terça-feira, 31 de maio de 2011

CHEIA DE GRAÇA
 
É a mulher que chora
de felicidade e sorri
quando segura o pranto.

É aquela que precisa gritar
e acoberta em suave canto
o horror da alma ferida.

É a mulher que ama
quem a despreza; não se queixa.
Enigmática, leva a cruz.

É também a que olha
mas ainda não vê o sentido da vida;
no entanto, reza e crê.

Dos sentimentos é ela
a guardiã e mensageira
virtuosa, sem jaça.

Presença mansa,
mulher que pensa e seduz,
avança carismática.

Cheia de graça é a mulher
que deixa por onde passa
um rasto de LUZ.


Lina Meirelles
Rio, 31.05.11


quinta-feira, 5 de maio de 2011

SEQUESTRO


E porque chegaste devagar,
muito manso, não percebi
as primeiras flores mortas
pisoteadas no chão do jardim.
Abri as portas e me perdi.

 
Bandido disfarçado, cobraste
com violência velada
rendição e entrega.
Presa em cativeiro, ausente do mundo,
fui vítima da dependência cega.

 
Sem algema ou corrente
a dor doía mais e mais fundo...
Roubada de mim
sem horizonte de sentido
a liberdade desaprendi.

 
Negociação recusaste.
Na terrível e dura solidão
desesperada me neguei
o direito de ser.
Paguei o mais caro resgate.

 
À beira da loucura, um milagre aconteceu.
Tão distante de tudo recobrei a visão
passei a crer na beleza do sonho possível.
Renovada, libertei-me da clausura.
Comprei novamente o que sempre foi meu.

 
Lina Meirelles
Rio, 06.05.11




quarta-feira, 4 de maio de 2011