Quem sou eu

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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
AUTO-RETRATO Já tantas vezes me expus// à luz do mundo,// por dentro, bem fundo...// Mas de novo aqui me retrato// já que este ato me ensina// quem é, de verdade, a Lina.// Então me viro do avesso.// Sem empeço, eu me desnudo// e me mostro...quase tudo...// Brota-me o amor sem parar// do coração agitador,//obstinado. Amar, eis o meu fado.// Fincada no peito tenho uma bandeira:// liberdade, altaneira !// Desfraldada do meu jeito...// A verdade é minha lei.// Lealdade, questão de crença.// Sou fiel desde a nascença.// Sou uma alegre criança// cheia de esperança em mim...// Hei de ser uma mulher ao fim !// Não sinto fastio de me descobrir.// Gosto-me assim, deste feitio.// Sou, ainda, um porvir...

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Licença Creative Commons A obra CANTO UM de Lina Meirelles foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada. Com base na obra disponível em recantodasletras.uol.com.br.

quinta-feira, 24 de março de 2011

DA  ESPERA
                                                                            
Ela só vem quando quer.
Também vai a qualquer hora.
É volúvel essa mulher...
não demora. Resta pouca.

Quando chega faz a festa
e pra vida traz o bem.
Quando sai deixa amargor
e do nada , assaz terror.

Nunca falta ou se cansa.
Anda sem pressa, não corre.
Na ribalta, a louca esperança
é sempre a última que morre.

Lina Meirelles
Rio, 24.03.11



sexta-feira, 18 de março de 2011


GESTAÇÃO

 
A palavra é ávida.

Ávida por um tema.

O tema é dádiva.

Dádiva suprema.

 

A busca é impávida.

Impávida e brusca.

A palavra é extrema,

mágica algema.

 

A palavra está grávida.

Grávida de um poema.

 

Lina Meirelles

Rio, 17.03.11



quinta-feira, 3 de março de 2011


CLARO ENIGMA



Tudo o que sou
Ficou com o momento
E o momento parou.
(Fernando Pessoa)

Cada um de nós
esconde
quem é
não se sabe bem
aonde.

É um claro enigma
desafio vital
que ninguém
responde.
Tem nós.

A gente se olha
nos olhos de outrem:
um outro alguém
que não corresponde
ao que vemos cá dentro.

Não estamos
ali nem aqui.
Somos diferentes.
Presentes
ausentes

Ao fluir dos instantes,
mutantes.
E o que resta
afinal
é o mistério atroz.

Lina Meirelles
Rio, 03.03.11

O MURO

Entre mim e ti
há um vazio
concreto
onde se cravam
ausências
desejos
temores...

Entre mim e ti
há um silêncio
objeto
onde se perdem
sonhos
promessas
amores...

Entre mim e ti
há um muro
discreto
que esconde
um afeto maduro
quieto
sem clamores...

Eu te proponho
abrirmos um furo
canal secreto
que permita
por fim
entre mim e ti
um risonho futuro.

Lina Meirelles
Rio, 03.03.11