Quem sou eu

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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
AUTO-RETRATO Já tantas vezes me expus// à luz do mundo,// por dentro, bem fundo...// Mas de novo aqui me retrato// já que este ato me ensina// quem é, de verdade, a Lina.// Então me viro do avesso.// Sem empeço, eu me desnudo// e me mostro...quase tudo...// Brota-me o amor sem parar// do coração agitador,//obstinado. Amar, eis o meu fado.// Fincada no peito tenho uma bandeira:// liberdade, altaneira !// Desfraldada do meu jeito...// A verdade é minha lei.// Lealdade, questão de crença.// Sou fiel desde a nascença.// Sou uma alegre criança// cheia de esperança em mim...// Hei de ser uma mulher ao fim !// Não sinto fastio de me descobrir.// Gosto-me assim, deste feitio.// Sou, ainda, um porvir...

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Licença Creative Commons A obra CANTO UM de Lina Meirelles foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada. Com base na obra disponível em recantodasletras.uol.com.br.

domingo, 21 de agosto de 2011

CONDICIONAL

 
Se a brisa brinca nas folhas no jardim
e borda em branco as ondas do mar;
se a gota da chuva desce a pétala da flor
como a lágrima desliza pela face do amor;

Se o sol brilha d’aurora ao poente
e a luz do arrebol anda junto à escuridão;
Se a própria vida reluz como diamante
mas é quebrável como a frágil vidraça...

Se a saudade não vai embora
e da hora fica a doce ilusão;
se a quimera ainda resta
depois de terminada a festa...

Se todo início um dia chega ao fim
e à beira do precipício é voar ou voltar.
Se não se pode deixar de ir adiante
e o mais certo é aceitar que tudo passa...

Se a verdade está na simplicidade,
na harmonia entre o ser e o estar;
se a insustentável felicidade
se apóia numa indubitável condição...

Se a ventura depende da humilde aceitação
da imensidade e beleza dos dons que a vida emana...
Então,com certeza, o segredo para ser feliz
é acatar essa humana, admirável limitação.

Lina Meirelles
Rio, 21.08.11





terça-feira, 16 de agosto de 2011

DA ENTREGA
 
O amor quando se anuncia
traz sinais de imolação.
Suplicia a alma
atada por um fio
no meio do turbilhão.
 
Quem se dispõe a amar
pressente o vazio de si.
 
O amor quando se assenta
traz consigo um grilhão.
Renuncia a calma,
revolteia o rio,
submete à escravidão.
 
Quem se dispõe a amar
consente o vazio de si.
 
O amor quando acontece
reclama a capitulação.
Oferece a palma
a quem sossega, cabalmente pio,
numa total rendição.
 
Quem se dispõe a amar
persente a total entrega de si.
 
Lina Meirelles
Rio, 16.08.11