Quem sou eu

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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
AUTO-RETRATO Já tantas vezes me expus// à luz do mundo,// por dentro, bem fundo...// Mas de novo aqui me retrato// já que este ato me ensina// quem é, de verdade, a Lina.// Então me viro do avesso.// Sem empeço, eu me desnudo// e me mostro...quase tudo...// Brota-me o amor sem parar// do coração agitador,//obstinado. Amar, eis o meu fado.// Fincada no peito tenho uma bandeira:// liberdade, altaneira !// Desfraldada do meu jeito...// A verdade é minha lei.// Lealdade, questão de crença.// Sou fiel desde a nascença.// Sou uma alegre criança// cheia de esperança em mim...// Hei de ser uma mulher ao fim !// Não sinto fastio de me descobrir.// Gosto-me assim, deste feitio.// Sou, ainda, um porvir...

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Licença Creative Commons A obra CANTO UM de Lina Meirelles foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada. Com base na obra disponível em recantodasletras.uol.com.br.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

CARISMA

 
Alva açucena num jardim sombrio,
tão segura de si e serena,
tem a força da palavra mansa.

 
Qual figura amena de um querubim
atrai confiança. Em sensata fala,
incita à mudança. E cala.

 
Com o dom da clareza seduz.
Sua face enigmática
fascina.
Cheia de graça,
mágica feminina,
encanta por onde passa.

 
E de mãos abertas conduz,
carismática,
ao caminho da Paz e da Luz.

 
Lina Meirelles
Rio, 29.04.11



terça-feira, 12 de abril de 2011

                                                  Foto: Maria Martins in olhares.com.br -30.04.07

MOTIVO

 
Uma andorinha sozinha voando no céu,

a rosa amarela perdida em buquê,

a folha de outono bailando ao léu,

 
um sonho sem sono que é puro clichê...

 
A nuvem branquinha que se desfaz,

a moça à janela esperando alguém,

o tempo que passa e não traz a paz,

 
um verso entrelinha que ninguém lê...

 
O esplendor no escuro da ausente razão,

a merecida graça do gozo subjetivo,

tudo tem seu valor nesta vida porque

 
o amor é o motivo - para quem sente e crê...

 
Lina Meirelles

Rio, 12.04.11





domingo, 10 de abril de 2011

ESPERANÇA VÃ

A paisagem sob os olhos
vai passando
fugaz...
Estações, amores, sonhos
vão ficando
para trás, abrolhos.

Na memória,
tatuagens lisas
e cicatrizes de incisas feridas.
Marcas da história,
colagens
em matizes risonhos.

Uma pintura acabada,
de imagens partidas e tantas,
que se quer restaurar...
Mas a vida avança,
esmaecendo as cores
da vã esperança.

No quadro redivivo
a natureza jaz. Fria e morta.
E a beleza do que se vai
amortecendo,
apenas traz uma clareza:
só a saudade conforta.

Lina Meirelles

sábado, 9 de abril de 2011

DOS ESPELHOS

Nos teus olhos eu me vejo.
Nos meus olhos tu te vês.
Olhos revelam sonhos.
Olhos refletem seus donos.
Mas a dupla face do olhar
espelha um constante esquivar-se.
Revela de cada um o seu disfarce.
Mostra só uma centelha
do que seria, por dentro, viajar-se.
Olhos não dão abonos.

A vida é um jogo de espelhos;
há reflexos por todo lado.
Há sempre alguém olhando
e, também, sendo olhado...
Fragmento perplexo, integro
imagens cambiantes
em conjuntos complexos.
Aquele que me retrata
sem ter em conta esses nexos
não me traduz de forma exata.

Lina Meirelles