“Poema é um conjunto complexo de sons e ritmos, significados claros e repletos de cores, de justaposições do comum com o inesperado, tudo reunido de maneira a nos envolver como participantes da vida, de mais vida, de vida real.” Eugene H. Peterson
Quem sou eu
- Lina Meirelles
- Rio de Janeiro, RJ, Brazil
- AUTO-RETRATO Já tantas vezes me expus// à luz do mundo,// por dentro, bem fundo...// Mas de novo aqui me retrato// já que este ato me ensina// quem é, de verdade, a Lina.// Então me viro do avesso.// Sem empeço, eu me desnudo// e me mostro...quase tudo...// Brota-me o amor sem parar// do coração agitador,//obstinado. Amar, eis o meu fado.// Fincada no peito tenho uma bandeira:// liberdade, altaneira !// Desfraldada do meu jeito...// A verdade é minha lei.// Lealdade, questão de crença.// Sou fiel desde a nascença.// Sou uma alegre criança// cheia de esperança em mim...// Hei de ser uma mulher ao fim !// Não sinto fastio de me descobrir.// Gosto-me assim, deste feitio.// Sou, ainda, um porvir...
Direitos Autorais
domingo, 17 de julho de 2011
sábado, 9 de julho de 2011
A MENTIRA
E as coisas não ditas nem escritas
restaram no entremeio da paixão.
Silenciosas, germinaram no vazio.
Manaram um rio, vagarosas...
Sem alardeio as águas caladas
encharcaram as margens
foram juntando aluvião
sufocaram os personagens...
A inundação arrastou o alheio
para as almas alagadas, aflitas.
A falsidade invadiu a imaginação,
afogou toda a vontade.
Palavras perdidas
atolaram no lodaçal da mentira,
abriram feridas,
rachaduras sem conta.
Eu sabia e sentia tudo.
Tu sabias, jazias mudo.
Cegos às cesuras.
Cerrados em armaduras.
Mas o tempo passa e afinal,
sobre a primazia da impostura,
bem no centro do lamaçal,
a verdade, pura e nua, desponta.
Lina Meirelles
Rio, 09.07.11
SECRETUM SECRETORUM
Por baixo destas linhas
há coisas não ditas
só minhas.
Por baixo dos escritos
transversos,
calados ficam os gritos.
Por baixo destes versos
estão todos os medos.
Submersos.
Por baixo do que imaginas,
refaço sonhos alados
a partir de ruínas.
Por baixo do que lês
guardo muitos bruxedos.
E tu não vês.
Por baixo do que digo
os meus segredos
vão morrer comigo.
Por baixo deste poema
não há algema.
A vida é extrema.
Lina Meirelles
Rio, 07.07.11
terça-feira, 5 de julho de 2011
TALVEZ
Um e um,
tão diferentes somos
e vamos lado a lado
por noites e canções,
paralelamente
encantados
magneticamente
provocados,
dizem,
por destino, alados.
Dois. Somados
por desatino
da gente
dos serões,
nos porões das mentes
temos um infinito comum.
Tu e eu. Nós, assim designados.
Ou, talvez,
eternamente,
um e um.
Lina Meirelles
Rio, 05.07.11
sábado, 2 de julho de 2011
ÁLBUM DE RETRATOS
Tarde de inverno.
Tudo é gris.
Os dedos tocam
texturas inexistentes;
os olhos, as cores
sem contrastes suficientes;
sinto sabores impossíveis,
odores imprevisíveis,
sons inaudíveis...
Passeio entre máscaras sucessivas,
meio mortas meio vivas,
fantasmas iludíveis.
Atriz principal sem nome ou face
desfilando personagens
diante duma plateia vazia,
vejo-me por quem já não sou.
Na tarde fria, em matiz,
uma vida estampada em imagens.
Lina Meirelles
Rio, 29.06.11
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