Quem sou eu

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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
AUTO-RETRATO Já tantas vezes me expus// à luz do mundo,// por dentro, bem fundo...// Mas de novo aqui me retrato// já que este ato me ensina// quem é, de verdade, a Lina.// Então me viro do avesso.// Sem empeço, eu me desnudo// e me mostro...quase tudo...// Brota-me o amor sem parar// do coração agitador,//obstinado. Amar, eis o meu fado.// Fincada no peito tenho uma bandeira:// liberdade, altaneira !// Desfraldada do meu jeito...// A verdade é minha lei.// Lealdade, questão de crença.// Sou fiel desde a nascença.// Sou uma alegre criança// cheia de esperança em mim...// Hei de ser uma mulher ao fim !// Não sinto fastio de me descobrir.// Gosto-me assim, deste feitio.// Sou, ainda, um porvir...

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Licença Creative Commons A obra CANTO UM de Lina Meirelles foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada. Com base na obra disponível em recantodasletras.uol.com.br.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011


FIAPOS

Era apenas um fiozinho
que teimava agarrado
nas pálpebras,
sob os cílios...
Custei a pegá-lo
entre os dedos
polegar e indicador.
Seria amor ou seria dor?

Foi só um momentinho
que passava apressado
entre as páginas
dos exílios...
Tardei a vivê-lo
sob os medos
de negar ou compor.
Seria amor ou seria dor?

É somente um carinho
que ficava guardado
sob as mágicas
dos idílios ?
Demorei a reconhecê-lo
entre os segredos
do aceitar e do supor.
Será amor ou será dor?

Será justo o que adivinho
que andava disfarçado
sob as mágoas,
eternos domicílios ?
Hesitei em resgatá-lo
dos degredos...
Entre o clamar e o torpor
é amor. E é dor...

Cada um fiapinho
que restava esgarçado
das lágrimas,
sem auxílios,
emendei, sem negá-lo.
Entrelacei a vida, teci enredos
entre o cantar e o langor
do amor e da dor.


Lina Meirelles

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